Por: Julio Cesar Teixeira dos Santos
Em um mundo onde o imediatismo das redes sociais consome a substância da memória, deter-se perante o Centésimo Quinquagésimo Quinto aniversário de Imbituva não é apenas um ato de civismo; é um dever para com a Egrégora que sustenta este solo. No próximo dia 03 de Maio, não celebramos apenas uma data administrativa, mas a persistência de um ideal que floresceu sob a sombra do Imbé e o esforço de homens que conheciam o valor do esquadro e do compasso na construção de uma sociedade.
É irônico, não é verdade? Que muitos caminhem hoje por nossas ruas ignorando que, enquanto o Império desmoronava, em 1890, um grupo de homens — entre eles, iniciados na arte da justiça e do comércio — firmava o “Manifesto Politico”. Eles não apenas “aderiam” a uma nova forma de governo; eles lavravam a pedra bruta de uma identidade que unia o boticário ao lavrador, o artista ao intendente.
Abaixo, faço questão de transcrever o Livro de Presenças daquela história. Uma lista que ecoa o trabalho de mestres e aprendizes que, com a força de seus caracteres, garantiram que a nossa “Villa” não fosse apenas um pouso de tropeiros, mas um templo de desenvolvimento.
A COLUNA DOS JUSTOS (MANIFESTO DE 1890)
Que estes nomes não sejam apenas letras, mas vibrações de quem trabalhou no meio-dia da nossa história:
- Joaquim D’Almeida (Presidente da Intendencia)
- Leopoldino B. de Alcantara (Vogal)
- Thomaz Dias Baptista (Vogal)
- João Chrysostomo Pupo Ferreira
- Rodrigo Nery do Canto
- Salvador Penteado de Almeida
- Luiz Antonio Penteado (Juiz de Paz 1º Votado)
- Joaquim Carlos de S. Castro (Boticario)
- Francisco Ribeiro de Macedo
- Plinio Coelho de Moraes
- Elizio Coelho de Moraes
- José Caetano de Miranda
- Laurindo A. de Araujo (Artista)
- José Paulo da Silva
- Luiz Augusto Penteado
- F. Penteado de Almeida (Subdelegado)
- Domingos Alves de Almeida
- Antonio da Silva Cabral
- José Amancio Sá Ribas
- José Domingues Trindade
- João Baptista Franco
- Antonio Alves Baptista
- José Tobias Borgenes
- Manoel Biscaia da Silva
- José M. de Figueiredo
- Antonio Evangelista Cardoso
- Jain Cyui
- Felisbino de A. e Silva
- Cirino Manoel dos Santos
- José Antonio de Carvalho
- Albino Pinto de Carvalho
- Frederico Sutil de Oliveira
- João José Monken (Artista)
- Felicio Fraucisquiny (Professor Publico)
- Evaristo Alves Ribeiro
- Domingos José Zebuar
- Domingos Lopes dos Santos (Juiz de Paz 2º Votado)
- Alfredo Carneiro Franco
- David José do Canto Nhosinho (Fazendeiro)
- Belarmino Antonio Pereira
- Miguel José Pedroso
- José Antonio de Quadros (Selleiro)
- Antonio José de Quadros Sobrinho (Ourives)
- Adão Stadler
- Candido M. de Camargo Junior
- Firmino Rodrigues dos Santos
- João Evangelista de Almeida (Official de Justiça)
- Mon Gloceden
- Emygdio Pedroso Machado
- José Carlos Ferreira
- Joaquim de Oliveira Leal
- João de Deus Roiz de Quadros
- Eduardo de Oliveira Penteado
- João de Oliveira Penteado (Subdelegado)
- Feliciano Roiz Penteado
- Felicio Rodrigues Penteado
- Amantino Rodrigues Penteado
- Pedro Americo de Araujo
- Candido Mendes Ribeiro de Camargo
- Joaquim E. da Luz Sobrinho (Artista)
- Julio Cezar de S. Araujo
- Felisbino Antonio Biscaia
DO PASSADO AO FUTURO
Doutores de nossa lei e irmãos de nossa caminhada: observar que Imbituva hoje é a “Cidade das Malhas”, é compreender que o entrelaçar dos fios de tricô é a metáfora perfeita para o entrelaçar das etnias — alemães, italianos, poloneses e, mesmo os Kaingangues — que aqui depositaram seu suor.
Que o Grande Arquiteto da História nos permita continuar talhando esta obra com a mesma firmeza daqueles que, em 1890, tiveram a visão de que o “Cupim” seria, na verdade, um alicerce de granito.
Imbituva, 155 anos. A herança não se perde, se transmuta.
Fontes:
- Jornal A Republica (1890), via Hemeroteca Digital Brasileira.
- Dicionário de Tupi Antigo (Eduardo de Almeida Navarro).
- Arquivos Históricos Imbituva.tur.br